Esteja certo (a) de uma coisa
Há muito que penso sobre as certezas. Essas mesmas que sempre buscamos para poder seguir em segurança, ou, no mínimo, para nos dar alguma tranquilidade para a inexorabilidade do destino.
Não estou buscando aqui qualquer laivo apocalíptico para discorrer filosoficamente sobre a razão dessa necessidade, mas, pode notar, sempre estamos em busca de certezas seja na saúde, na profissão, nos relacionamentos, e quase em todas as esferas da vida.
No mínimo, é algo curioso, e talvez esteja relacionado à consciência que possuímos das coisas, algo que difere em qualidade dos outros animais. Se estou em busca de uma certeza para algo necessário para a minha segurança, significa que temo que alguma coisa possa não dar certo. Portanto, somos apocalípticos por natureza. É provável que isto esteja gravado no DNA de uma extensa linhagem de ancestrais, os quais, provavelmente, também sentiam o mesmo guardadas as diferenças de época, ambiente, e circunstâncias históricas. No entanto, isso me parece inexorável ao processo da vida da consciência, pois, ao tomar pé das coisas, o homem se sente impotente, no mais da vezes, ante a diversidade que geralmente leva à multiplicidade de escolhas possíveis. E isto, por si só, intrinsecamente, gera insegurança, pois remete ao caos, uma dimensão temida por ser própria de "explosões atômicas", por assim dizer.
O assunto das certezas e incertezas, como toda bivalência ou duplicidade da qual não temos como escapar, vislumbra, no final do túnel, uma luz que talvez eu chamasse de "maturidade ontológica". Quer dizer, quanto mais sejamos capazes de lidar conscientemente com essa ideia que gera desconforto, porque, mesmo numa certeza que supostamente se tenha, ainda assim será algo subjetivo, nascido de nossa visão sobre alguma realidade - e se esta realidade for objetiva, por exemplo, quando um médico examina uma tomografia - ainda assim pode acontecer uma reviravolta, desde que admitamos ser tudo possível reverter, menos a morte.
É doloroso saber de nossa pequenez, de nossas limitações enfim. Mas a vida é tão sábia que somente quando amadurecemos de fato e de direito é que encontramos essa certeza. Não há mais equívoco, pois é como se atravessássemos o portão da sabedoria, a partir do qual não há mais volta para a ignorância, para poucos, no entanto, pode ser um reencontro com a inocência e com a candura, ao passo que, para a a maioria, o encontro é com a desesperança e com a finitude iminente.
Viver é tudo isso e mais um pouco. Estar vivo se traduz em buscar soluções para não morrer antes do fim destinado a cada um de nós. A certeza que fica é que a fé ainda é o sentimento máximo que podemos carregar enquanto vivos.


