quinta-feira, 28 de julho de 2011

Você conhece "Eneaficção"?

É algo curioso que tenhamos a necessidade de falar de nossos feitos. Não sei se é algo errado ou, no mínimo, de bom tom, mas é que se não fazemos isto, muitos nem se dão conta do que de fato estamos fazendo.
Na verdade, se todos os artistas tivessem a mídia para os seus projetos, talvez eu, pessoalmente falando, não precisasse escrever aqui sobre meus próprios trabalhos, mas, tudo bem, sei que o leitor saberá entender o que estou querendo dizer.
Bem, o título deste post também não poderia deixar de ser curioso. Afinal, que diabo é isto de "eneaficção"?
A resposta está em que a partícula ou prefixo "enea" vem da palavra "eneagrama", que, para quem não sabe, é um sistema de conhecimento transpessoal oriundo da filosofia sufi, algo milenar e que hoje ganhou o status de ferramenta de coaching, entre outras aplicações.
Não sou expert em eneagrama, como muitos poderiam supor pelo fato de escrever ficção (estórias) baseadas ou inspiradas nesse sistema eneagramático, por assim dizer. Contudo, como tenho apreço pela vida humana, por suas manifestações em face do caráter e da própria alma, percebi que havia nesse sistema algo comum a mim e a todos, uma vez que nenhum de nós vive sem uma personalidade adquirida e de traços inferiores e superiores de caráter. Portanto, para quem gosta de inventar estórias, cuja raison d'être são os próprios personagens que as fazem interessantes, resolvi encampar um projeto de ficção que batizei de "PSICOR, os Tipos de Caráter em Ação", cujo objetivo inicial é obter 9 estórias que correspondam, de algum modo, aos 9 tipos básicos de caráter do eneagrama. Daí, então, o nome "eneaficção" utilizado cmo título deste post.
Posso dizer que tem sido muito prazeroso escrever eneaficção, pois a energia de cada tipo de caráter está em mim, assim como observo em outras pessoas, e isto motiva a buscar estórias que coloquem na ribalta, por assim dizer, cada um dos tipos que consigo apreender através da observação e da intuição, duas faculdades básicas para captar essas energias que flutuam a partir das pessoas no mundo.
Meu objetivo é conseguir produzir essa série de 9 novelas até 2012. O formato que escolhi por razões práticas e ecológicas é o eBook, mais precisamente o formato conhecido como ePub, que hoje tem sido adotado por grande parte das edições eletrônicas no mundo.
No site http://www.letrascriativas.com.br já há alguns eBooks disponíveis, estórias baseadas em tipos como os chamados Pacifista (tipo 9 do eneagrama), Desempenhador (tipo 3), Legalista (tipo 6), Devaneador (tipo 4) e brevemente também o Perfeccionista (tipo 1).
Basicamente são estórias independentes, nas quais a inspiração são esses tipos em sua peculiar caracterologia, mas a ideia também é entreter o leitor tecendo tramas interessantes dentro de molduras atraentes.
Posso dizer que escrever "eneaficção" tem propiciado entender um pouco mais de mim e dos outros, podendo ver como a vida de fato é um grande espelho que reflete o que somos e o que temos impregnado em nossas almas, mentes e corações. Como li de um sábio:
"Este mundo é o reflexo de nossa própria mente."
Criamos as próprias circunstâncias com ela, que daí servem de palco para nós mesmos. Agora, é com você, leitor. Espero que goste de eneaficção, afinal você é a minha raison d'être. Au revoir

domingo, 17 de julho de 2011

Religare


Tive uma espécie de clarividência. Digo, a visão de uma realidade imaginária - eu dando uma rasteira, durante uma briga, e o cara se espatifando no chão de cabeça. Em seguida a isso, eu corri da cena sem prestar socorro.

Não, eu não estava dormindo, não, mas, acordado. Correndo, aliás. O curioso é que essa cena me trouxe a seguinte questão, ainda enquanto corria: "Se eu bater num irmão, então, a tendência será de abandoná-lo à sorte?"

Confesso que isso me incomodou. No entanto, eu sei da presença do "yetser hará" (má inclinação) na vida da pessoa que precisa suar muito para vencer seu próprio lado negativo, onde tudo parece querer se ocultar nas trevas, já que à luz não se sustenta sem nenhum equívoco.

Voltando à metáfora de que se "bater num irmão há a chance de abandoná-lo à sorte", entendi que o instinto nada tem a ver com amor. Não há elemento de liga entre eles. Mas ambos convivem dentro de mim, de você, de todo mundo.

O mais interessante é que só é possível fazer essa analogia estando desperto para o que acontece dentro da gente. A realidade íntima é de uma qualidade singular, única, que pode ser fotografada pela lucidez do instante em que se experimenta tal vivência pela alma. Sim, é a alma que vivencia emocionalmente o que nós verdadeiramente somos. No entanto, tudo isso só vem à luz se posso observar o que acontece de modo privilegiado, conscientemente.

Viver é realmente uma dádiva para quem encontra significados para as suas experiências, e pode parecer um inferno para quem só encontra o tédio da repetição monocórdica da existência. A psicanálise bioniana, por exemplo, parte do pressuposto de que existe uma função (alfa) para transformar elementos (beta) em experiências emocionais únicas (realidade última), que são praticamente inexplicáveis por estarem muito além de uma explicação racional. O fato é que o ser humano pode alcançar experiências místicas cuja qualidade está absolutamente ligada a uma voltagem muito alta advinda da Fonte de todas as coisas. Essa é a sensação que fica, uma vez que não há ego aqui para interferir. Há, apenas, a sensação inequívoca de que estamos conectados com algo muito maior que nossa limitada carne.

Será que isso é religião? Certamente que sim. É um modo de "religare" perfeito entre Criador e criatura, só que numa terceira dimensão. Ou será quarta? Seja qual for, a sensação não tem explicação!

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